Rondônia registrou a segunda maior taxa de detecção de hepatite B do Brasil em 2025, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026, divulgado pelo Ministério da Saúde. Porto Velho lidera o ranking entre todas as capitais brasileiras.

No último ano analisado, o estado registrou 406 casos de hepatite B, alcançando uma taxa de 23,2 ocorrências por 100 mil habitantes — mais de quatro vezes superior à média nacional, de 5,2 casos.

Na capital, foram contabilizados 199 casos, com taxa de 38,4 por 100 mil habitantes, a maior entre as capitais do país.

Os números, no entanto, não significam necessariamente que houve aumento proporcional de novas infecções. Segundo a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia, Deusilene Vieira, os indicadores também refletem a ampliação da capacidade de testagem, diagnóstico e notificação de pessoas que convivem com a doença, muitas vezes sem apresentar sintomas durante anos.

O cenário também chama atenção para a hepatite C. Rondônia registrou 201 casos em 2025, com taxa de 11,5 por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 8 casos. Em Porto Velho, foram 123 registros.

Por outro lado, os dados mostram avanços no combate à hepatite A. Rondônia passou de 124 casos em 2014 para apenas nove em 2025, enquanto Porto Velho reduziu os registros de 111 para apenas um caso no mesmo período.

Entre 2000 e 2025, Rondônia contabilizou mais de 16 mil casos de hepatites virais. A hepatite B concentra a maior parte das notificações, com mais de 11 mil registros ao longo da série histórica.

Os dados reforçam a importância da vacinação, da testagem e do diagnóstico precoce, especialmente porque algumas hepatites podem permanecer silenciosas por anos antes de apresentarem sintomas.