O frigorífico Irmãos Gonçalves voltou ao centro das discussões sobre controle socioambiental da cadeia pecuária em Rondônia após uma análise realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) identificar indícios de desconformidade em parte do gado adquirido pela empresa.
Segundo as informações apresentadas, o MPF analisou dados referentes a cerca de 800 mil cabeças de gado relacionadas às compras realizadas pelo frigorífico. Desse total, mais de 260 mil animais apresentaram algum tipo de indício de irregularidade ou desconformidade na origem das propriedades fornecedoras.
O caso ganhou atenção porque o frigorífico não aderiu ao chamado TAC da Carne e afirma utilizar mecanismos próprios para o monitoramento socioambiental dos fornecedores. Entre as ferramentas utilizadas estaria a plataforma NicePlanet, responsável pelo acompanhamento das áreas rurais e dos critérios ambientais utilizados na avaliação dos fornecedores.
A ausência de adesão ao TAC e os números identificados na análise levantam questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos próprios utilizados pela empresa para impedir a compra de animais provenientes de áreas com restrições.
Histórico de questionamentos
O nome dos Irmãos Gonçalves também já apareceu em decisões judiciais relacionadas à Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná.
Segundo as informações apresentadas, uma das condenações determinou o pagamento de aproximadamente R$ 4,25 milhões em processo relacionado à aquisição de gado proveniente de área irregular. Em outra decisão, a empresa teria sido responsabilizada como poluidora indireta em situação envolvendo uma área de aproximadamente 570 hectares na Resex.
As decisões e a atual análise do MPF colocam novamente em discussão os mecanismos utilizados pelo frigorífico para verificar a procedência dos animais adquiridos.
O que pode acontecer agora?
A partir dos dados levantados, o MPF poderá aprofundar a análise individual das propriedades e dos animais identificados como desconformes, buscando verificar se houve efetivamente aquisição de gado proveniente de áreas embargadas, irregulares ou submetidas a outras restrições ambientais.
Dependendo do resultado das verificações, poderão ser adotadas novas medidas administrativas ou judiciais, caso sejam identificadas responsabilidades.
Até o momento, os números apontam indícios que ainda precisam ser individualmente apurados. A identificação de desconformidade na análise não significa, por si só, que todos os animais tenham origem ilegal ou que o frigorífico tenha cometido irregularidades em cada operação.
O caso deve continuar sob análise dos órgãos de fiscalização, enquanto cresce a cobrança por maior transparência e rastreabilidade na cadeia da carne em Rondônia.







