Saúde
Força-tarefa é realizada para descentralizar soros antivenenos em áreas indígenas de Rondônia
A mobilização estratégica é voltada à descentralização de soros antivenenos na Amazônia Legal assegurando saúde e dignidade de forma ágil a todos os rondonienses, respeitando e protegendo as comunidades indígenas
Com o objetivo de expandir o acesso ao tratamento seguro e reforçar a vigilância epidemiológica, Porto Velho sedia, entre os dias 29 de junho e 2 de julho, uma mobilização estratégica voltada à descentralização de soros antivenenos na Amazônia Legal. O evento contempla, simultaneamente, a reunião técnica com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei) e a Capacitação de Médicos e Enfermeiros para Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos.
Coordenada pela Agência de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa/RO), em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde (MS), a iniciativa tem o propósito de estruturar a logística de soroterapia diretamente nas comunidades mais isoladas.
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou o impacto social e a relevância da ação para as populações tradicionais do estado. “A descentralização dos soros antivenenos é um passo histórico para a saúde pública de Rondônia. Levar o tratamento para dentro das áreas indígenas, reduzindo o tempo de resposta em casos de acidentes com animais peçonhentos é salvar vidas que antes dependiam de deslocamentos longos e complexos.”
ESTATÍSTICA

Os acidentes com serpentes são os mais recorrentes, somando 2.829 ocorrências entre 2021 e 2025
A urgência da descentralização é respaldada pelos indicadores históricos do estado. Dados do Núcleo de Riscos Biológicos da Agevisa/RO apontam que, no período de 2021 a 2025, foram registrados 7.733 acidentes envolvendo animais peçonhentos em solo rondoniense. Desse montante, os acidentes ofídicos (com serpentes) destacam-se como os mais recorrentes, somando 2.829 ocorrências; seguidos por picadas de escorpiões (1.739 casos); e aranhas (1.187 casos). A Capital, Porto Velho, concentra o maior volume de notificações no estado, acumulando 1.226 atendimentos no período.
PROGRAMAÇÃO
A programação dos dois primeiros dias foca no alinhamento do processo de descentralização do manejo clínico de crianças do Hospital Cemetron para o Hospital Infantil Cosme e Damião (HICD) e no cronograma de execução em Rondônia. No auditório da Agevisa/RO, gestores debatem a experiência de projetos-piloto de estados vizinhos e avaliam a realidade de polos-base estratégicos como Guajará-Mirim, Ji-Paraná e Alta Floresta d’Oeste.
O diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, ressaltou o papel da integração institucional. “Este esforço conjunto com o Ministério da Saúde e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas é fundamental para a superação dos desafios logísticos da nossa região. Estamos desenhando uma matriz de gestão organizacional e uma rede de frio robustas que permitirão o armazenamento e a distribuição segura desses imunobiológicos. Assim, a Agevisa/RO cumpre sua missão técnica e humanitária de capilarizar o atendimento de urgência.”
MANEJO CLÍNICO

A capacitação é direcionada à atualização técnica de médicos e enfermeiros da rede pública
A segunda etapa do treinamento, nos dias 1º e 2 de julho, acontece no Auditório do Núcleo de Imunização e é direcionada à atualização técnica de médicos e enfermeiros. O treinamento aborda desde a logística da rede de frio até o diagnóstico, tratamento e estudo de casos de acidentes ofídicos, aracnídeos e com outros animais de importância para a saúde pública. O conteúdo será ministrado por especialistas nacionais, incluindo representantes do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan, além de especialistas locais em biologia de animais peçonhentos.
A Coordenadora Estadual do Programa de Acidente por Animais Peçonhentos da Agevisa/RO (GTVAM/NRB), Francimar de Oliveira Moisés, enfatizou a importância da notificação e do preparo na ponta. “Além de disponibilizar o soro, precisamos que as equipes locais saibam diagnosticar com precisão e manejar o paciente com segurança.”
Compreender a situação epidemiológica de Rondônia e manter a notificação rigorosa no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) permite ao estado direcionar mais precisamente os recursos. A capacitação empodera os profissionais de saúde e consolida uma rede de referência eficiente para o atendimento imediato ao cidadão.
Fonte: SECOM/RO
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