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Deportação de ativista pró-Palestina acende debate sobre repressão política nos EUA
A expulsão do estudante Mahmoud Khalil, ex-líder de protestos pró-Palestina na Universidade Columbia, em Nova York, voltou a colocar em evidência os limites da liberdade de expressão nos campi universitários norte-americanos. A decisão, tornada pública na quarta-feira (17/9), foi autorizada pela juíza de imigração Jamee Comans, da Louisiana, e prevê a deportação do jovem para a Argélia – país de sua cidadania – ou para a Síria, onde nasceu em uma família palestina.
Detido em março pelo ICE (serviço de imigração dos EUA), Khalil permaneceu mais de três meses em um centro de detenção para imigrantes, período em que sua esposa, cidadã norte-americana, deu à luz ao primeiro filho do casal. O estudante possui residência legal no país, por meio do green card, e seus advogados trabalham em um recurso para tentar reverter a medida.
Contexto histórico e base legal
O caso reacendeu comparações com episódios históricos de perseguição ideológica nos EUA, como as expulsões de alunos e professores durante o macarthismo, nos anos 1950, e o monitoramento de lideranças do movimento Black Lives Matter em 2020.
A deportação foi amparada por uma cláusula da Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952, que permite retirar estrangeiros considerados risco à política externa. Juristas questionam a formulação, considerada vaga e suscetível a uso político. O secretário de Estado, Marco Rubio, defendeu publicamente a decisão, alegando que Khalil “ameaça a estabilidade diplomática dos Estados Unidos”.
Mobilização e críticas
Organizações de direitos civis, entre elas a ACLU e o Center for Constitutional Rights, classificaram a medida como um “ataque à Primeira Emenda”, que assegura a liberdade de expressão. Protestos ocorreram em Nova York, Washington e no campus de Columbia. A Anistia Internacional e a FIDH pediram que o governo suspenda a deportação e investigue eventuais abusos.
Especialistas apontam que o episódio pode criar um precedente perigoso para estudantes estrangeiros engajados em causas políticas. Para analistas brasileiros, o caso mostra como, em contextos polarizados, o ativismo universitário pode ser criminalizado.
Próximos passos
A defesa de Khalil prepara um novo recurso nas cortes superiores, tentando impedir sua remoção. O processo deve se tornar um marco sobre até onde vai a proteção constitucional à liberdade política de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos.
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