Rondônia
Decisão do STF garante recursos ambientais e expõe necessidade de equilíbrio político em Rondônia
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura de crédito extraordinário para financiar políticas ambientais em Rondônia, recoloca em pauta a delicada relação entre os poderes e a urgência de garantir proteção às áreas de preservação.
O impasse começou com a rejeição, pela Assembleia Legislativa, de um projeto do Executivo que previa recursos para a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam). Mesmo diante de medidas de fiscalização e combate a ocupações irregulares em unidades de conservação, o Legislativo arquivou a proposta sem apresentar justificativas consistentes.
Diante desse vácuo, o Supremo interveio. Autorizou parcialmente os recursos, limitados a 70% do valor inicial, e condicionou o uso do dinheiro à assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e à prestação de contas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Trata-se de um recado claro: a autonomia dos poderes é legítima, mas não pode paralisar ações urgentes de proteção ambiental.
O caso expõe um desalinhamento entre Executivo e Legislativo no enfrentamento das responsabilidades ambientais. Enquanto isso, no entorno da Estação Ecológica Samuel, cresce a pressão social com ocupações irregulares que ampliam os conflitos e testam a capacidade do Estado de cumprir decisões judiciais.
A decisão do STF impede um colapso imediato da política ambiental, mas não resolve o problema estrutural: a ausência de planejamento integrado. Conciliar fiscalização, preservação e políticas sociais de reassentamento exige diálogo político, recursos adequados e compromisso com a continuidade — elementos que ainda parecem dispersos.
A lição é inequívoca: proteção ambiental não é pauta de governo, mas de Estado. Exige responsabilidade compartilhada, acima de disputas partidárias ou institucionais. Rondônia tem agora a oportunidade — e a obrigação — de transformar uma medida judicial em política pública efetiva, capaz de preservar seu patrimônio natural e dar resposta às demandas sociais que se avolumam.
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