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Tragédia do voo Rio-Paris: Justiça inicia novo julgamento após 16 anos
Airbus e Air France voltam ao banco dos réus em apelação que deve durar até novembro
A Justiça francesa inicia nesta segunda-feira (29/9) um novo julgamento sobre a queda do voo AF447, que fazia a rota Rio de Janeiro–Paris e caiu no Oceano Atlântico em 1º de junho de 2009. O acidente deixou 228 mortos e é considerado uma das maiores tragédias aéreas da aviação civil.
Em abril de 2023, a Air France e a fabricante Airbus haviam sido absolvidas em primeira instância da acusação de homicídio culposo (sem intenção de matar). Os juízes reconheceram falhas das empresas, mas não estabeleceram relação direta entre os incidentes técnicos e a queda. A Procuradoria-Geral francesa recorreu, o que levou à reabertura do caso.
As acusações
- Airbus: é acusada de não substituir os sensores Pitot, usados para medir a velocidade, mesmo ciente dos defeitos. Também teria falhado em alertar a companhia aérea sobre os riscos.
- Air France: responde por não ter dado treinamento adequado aos pilotos para lidar com falhas desse tipo.
Ambas as empresas negam as acusações. A Air France declarou, em comunicado, que continuará a demonstrar que “não cometeu nenhuma falta penal na origem do acidente”.
O que dizem as famílias
Das 489 famílias que ingressaram no processo, 281 participam da nova fase. Para elas, a apelação é uma chance de obter justiça após mais de uma década.
“Estou exausta após 16 anos, mas satisfeita com o início de um segundo julgamento”, disse Ophélie Toulliou, que perdeu o irmão Nicolas. Já Danièle Lamy, presidente da associação Entraide et Solidarité AF447, lembrou que a fabricante Thalès sabia que as sondas se tornavam inoperantes após 10 mil horas de voo. “As do AF447 tinham 19 mil. Esse acidente estava anunciado”, afirmou.
Julgamento
O processo segue até 27 de novembro. Se condenadas, Airbus e Air France poderão receber multa de até € 225 mil (cerca de R$ 1,4 milhão). O valor é simbólico, já que a maioria das famílias foi indenizada em acordos civis.
Contexto da tragédia
A investigação oficial concluiu que o acidente ocorreu após o congelamento dos sensores Pitot, que levou à perda de sustentação da aeronave. O relatório da BEA (agência de investigação francesa) também apontou erro de pilotagem diante da falha técnica.
Os destroços começaram a ser encontrados dias após o acidente, mas as caixas-pretas só foram localizadas dois anos depois, a quase 4 mil metros de profundidade.
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