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TDA ou TDAH? Especialista explica diagnóstico de Ana Castela e diferenças entre as condições

A artista, de 22 anos, contou nos stories do Instagram que recebeu o diagnóstico de TDA após uma consulta médica e só após esse diagnóstico conseguiu entender comportamentos que a acompanhavam há anos

A revelação da cantora Ana Castela sobre ter sido diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) surpreendeu os fãs na última quarta-feira (11/3) e reacendeu uma discussão frequente nas redes sociais: afinal, existe diferença entre TDA e TDAH? Para falar sobre o assunto, o portal LeoDias conversou com a médica psiquiatra, Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação feminina.

A artista, de 22 anos, contou nos stories do Instagram que recebeu o diagnóstico após uma consulta médica. Ao relatar a descoberta, disse que finalmente conseguiu entender comportamentos que a acompanhavam há anos. “Acabei de sair da consulta e vou te falar: agora minha vida fez sentido. Agora eu entendi tudo já”, afirmou.

Ela também explicou que não recebeu diagnóstico com hiperatividade. “Vocês estão falando que eu esqueci o ‘H’ do TDAH, mas eu não tenho o ‘H’, só tenho o ‘A’”, disse, acrescentando que deve passar por uma avaliação com neuropsicóloga para aprofundar o acompanhamento.

Diagnóstico tardio é mais comum do que parece

De acordo com a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, muitas pessoas descobrem o transtorno apenas na vida adulta.

“Hoje sabemos que um número significativo de adultos descobre o transtorno apenas depois de anos convivendo com sintomas que nunca haviam sido compreendidos ou corretamente identificados”, explica.

Segundo a médica, isso acontece porque, durante muito tempo, acreditava-se que o transtorno afetava principalmente meninos hiperativos na infância. Com isso, casos com sintomas mais silenciosos, especialmente aqueles relacionados à desatenção, acabavam passando despercebidos.

Estudos apontam que entre 60% e 70% dos adultos com TDAH nunca receberam diagnóstico na infância. Atualmente, estima-se que cerca de 2,5% a 5% da população adulta no mundo tenha o transtorno, embora muitos casos ainda permaneçam sem identificação.

O que hoje é chamado de “TDA”

A especialista explica que, tecnicamente, o termo TDA não é mais utilizado nos manuais diagnósticos atuais. O diagnóstico oficial é o de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que pode se manifestar de diferentes formas.

“O que muitas pessoas costumam chamar de ‘TDA’ corresponde, na verdade, ao TDAH com apresentação predominantemente desatenta”, afirma.

Nesse perfil, predominam sintomas como dificuldade de concentração, esquecimento frequente, desorganização, problemas para iniciar tarefas e tendência à procrastinação, mas sem a hiperatividade física evidente.

Já em outras apresentações do transtorno podem aparecer características como inquietação, impulsividade, dificuldade de esperar e fala excessiva.

Sinais que podem aparecer desde cedo

Embora o diagnóstico muitas vezes ocorra apenas na fase adulta, os sinais costumam surgir ainda na infância ou adolescência.

Entre os sintomas mais comuns estão distração frequente, dificuldade em terminar tarefas, esquecimento de materiais escolares, perda de objetos e problemas para manter organização e rotina.

Na adolescência, esses sinais podem se manifestar como dificuldade para manter uma rotina de estudos, sensação constante de estar “correndo atrás do prejuízo”, impulsividade nas decisões e instabilidade emocional.

“Como muitos jovens conseguem compensar essas dificuldades com inteligência, criatividade ou apoio familiar, os sintomas acabam sendo interpretados apenas como desorganização ou falta de disciplina”, explica a psiquiatra.

Impactos na vida adulta

O transtorno está relacionado às chamadas funções executivas do cérebro, responsáveis por habilidades como planejamento, organização, gestão do tempo e controle de impulsos.

Por isso, pessoas com TDAH podem enfrentar dificuldades para cumprir prazos no trabalho, manter concentração em tarefas longas ou organizar a rotina.

Nos relacionamentos, também podem surgir desafios, como esquecimento de compromissos ou impulsividade emocional. “É importante destacar que esses impactos não estão relacionados à falta de esforço ou capacidade intelectual, mas a diferenças no funcionamento dos circuitos cerebrais responsáveis pela atenção e pela autorregulação”, afirma Pandolfi.

Mulheres ainda são subdiagnosticadas

Segundo a especialista, o transtorno historicamente foi menos diagnosticado em mulheres. Isso acontece porque muitas apresentam menos hiperatividade física e mais hiperatividade mental, caracterizada por pensamentos acelerados e dificuldade de desacelerar a mente.

Além disso, muitas meninas aprendem desde cedo a compensar as dificuldades para se adaptar às expectativas sociais, o que pode mascarar os sintomas por anos.

“Por esse motivo, muitas mulheres só recebem diagnóstico na vida adulta, especialmente após a maternidade ou em momentos de maior sobrecarga na rotina”, diz.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser realizado por um profissional de saúde mental. O processo envolve entrevistas detalhadas sobre a história de vida do paciente, análise dos sintomas desde a infância e avaliação do impacto no cotidiano.

Não existe exame de sangue ou teste de imagem capaz de confirmar o transtorno. Em alguns casos, a avaliação neuropsicológica pode ajudar a investigar funções cognitivas como atenção, memória e planejamento, além de auxiliar no diagnóstico diferencial com outras condições.

Tratamento e qualidade de vida

O tratamento costuma envolver uma abordagem combinada, com psicoterapia, estratégias de organização da rotina e, em alguns casos, medicação.

“Os medicamentos podem ser muito úteis porque atuam em neurotransmissores relacionados à atenção, especialmente dopamina e noradrenalina. No entanto, eles não são a única forma de tratamento”, explica a especialista.

Ela ressalta que, com acompanhamento adequado, pessoas com TDAH podem ter uma vida plenamente funcional e produtiva.

“Com diagnóstico adequado e acompanhamento correto, muitas pessoas desenvolvem vidas extremamente criativas e bem-sucedidas. O mais importante é compreender o próprio funcionamento mental e desenvolver estratégias para utilizá-lo de forma construtiva”, finalizou.

Fonte: Karol Gomes

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