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Professora presta “desserviço” ao fetichizar profissão, avalia expert
Em meio a tantas produtoras de conteúdo no TikTok, uma em especial tem dado o que falar. Cibelly Ferreira é acompanhada por 9,2 milhões de seguidores na rede social e atende como “prof”. Além de fazer dancinhas com os alunos em sala de aula, ela vende conteúdos com a imagem e o título de professora em uma plataforma erótica.
Apesar de trabalhar como influencer desde o ano passado, ela virou alvo de polêmicas mais recentemente. Os internautas se dividem entre os que riem e não veem nada demais nas publicações e os que acham todo o contexto criado por ela muito problemático, principalmente por expor alunos.
Cibelly é dona da SuddEnglish, escola de inglês que aparece nas imagens. Segundo ela, os pais dos alunos autorizam a participação deles nos vídeos, nunca tendo visto problema no fato de ela também modelar para uma plataforma de conteúdo adulto. Apesar de na internet haver teorias de que, na verdade, a influencer não é professora e de que as filmagens se passam em um cenário com atores, o CNPJ da empresa, no nome da docente, está ativo.
Para a psicopedagoga e sexóloga Carolina Freitas, toda a situação pode trazer diversos prejuízos ao processo de aprendizado e à construção da sexualidade de jovens, além de ser, no mínimo, problemática. Ainda que os alunos de Cibelly sejam maiores de idade, fato usado pela “prof” para amenizar a questão, o prejuízo é contabilizado para adolescentes expostos ao conteúdo.
Apesar de as escolas serem um local em que questões sobre sexualidade estão presentes, tudo que tange educação sexual em nada tem a ver com sexualização. “A sexualização acontece de fora para dentro, ou seja, não é um processo natural da criança, tampouco do adolescente, e sim uma manobra que ‘adultiza’ e sensualiza. É uma violação dos direitos sexuais de adolescentes”, alerta Carolina.
Erotização da profissão
É importante entender que existe uma mulher por trás da professora, assim como acontece em toda e qualquer profissão. E que essa mulher tem direito, inclusive, de ter outras ocupações e até mesmo de produzir conteúdo adulto, se assim desejar.
O problema está em misturar as coisas e usar a profissão e o ambiente escolar para atrair assinantes. Além das “brincadeiras” em sala de aula, Cibelly usa legendas como “vem pro colo da prof” e faz danças sensuais com uma aluna fora do colégio.
Em um vídeo com os supostos alunos, ocorre, inclusive, menção à podolatria – fetiche por pés – e a uma plataforma chamada Feet Finder, utilizada para compra e venda de “packs do pezinho”.
“Sensualizar instituições de ensino interfere negativamente no aprendizado escolar. A professora perde seu lugar de autoridade, de transmissão de conhecimento. Sem contar que referências distorcidas podem, sim, gerar crenças errôneas e desvirtuadas que vão interferir na vida sexual de jovens”, elucida a psicopedagoga e sexóloga.
“Bonificação para os alunos”
Em entrevista, Cibelly chegou a dizer que usa as dancinhas como uma espécie de bonificação para o bom comportamento dos estudantes da escola de idiomas da qual é proprietária.
“Um dos meus alunos me pediu para dançar com ele, e a turma gostou muito da interação. Depois disso, os outros estudantes começaram a pedir também. Aproveitei a interação e o interesse deles para aplicar as minhas aulas com mais qualidade, pois os alunos ficam mais interessados e animados. Então, utilizo isso como forma de bonificação”, contou ao G1.
A professora e empresária garante que os conteúdos mais picantes produzidos por ela, que criou uma equipe focada integralmente na produção de fotos e vídeos sensuais, são direcionados a assinantes e não são compartilhados com os alunos. Nos perfis dela no Instagram e no TikTok, no entanto, há diversas postagens da “prof” seminua, com biquíni ou lingerie.
Metrópoles
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