PLANEJAMENTO – Conheça o Plano Diretor Participativo que orienta o futuro de Porto Velho
Lei municipal reúne propostas para organizar o município, meio ambiente, promover pertencimento e melhorar serviços públicos
Porto Velho cresceu a partir de diferentes ciclos migratórios, que contribuíram para a formação do território, a diversidade local e o surgimento de demandas urbanas que exigiam planejamento, como a ampliação da infraestrutura, a proteção ambiental, a melhoria no acesso aos serviços públicos e o ordenamento urbano e territorial. Nesse contexto, surge o Plano Diretor Participativo do Município de Porto Velho (PDPM), principal política urbana da administração municipal, responsável por orientar o desenvolvimento da cidade e a organização do território.
A última revisão do PDPM foi realizada entre 2018 e 2021, contemplando soluções voltadas ao enfrentamento de desafios atuais, como o avanço do desmatamento, a expansão urbana desordenada, as deficiências no saneamento básico e na regularização fundiária, bem como a necessidade de modernização da gestão urbana. Todo o processo foi coordenado à época pela Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, atual Secretaria Municipal de Economia (Semec).
Baseado em levantamentos, estudos técnicos, participação popular de moradores de diferentes regiões, contribuição de diversos órgãos públicos e entidades da sociedade civil, o instrumento apresenta cinco estratégias que orientam o crescimento do município, definem prioridades de investimento e estabelecem diretrizes para a proteção dos recursos naturais, do patrimônio municipal e dos modos de vida portovelhenses.
Cidade com a Floresta e as Águas
Programa de Educação Urbana visa ações para aproximar a população das discussões sobre a cidade e o território municipal
Porto Velho está inserida no contexto amazônico e precisa considerar essa realidade para crescer em equilíbrio com o meio ambiente. O modelo de desenvolvimento proposto busca melhorar a qualidade das águas dos rios e igarapés, preservar a floresta, as Áreas de Preservação Permanente e a Reserva Legal, além de orientar a ocupação urbana conforme as características do território.
Também incentiva atividades econômicas sustentáveis, como a agricultura familiar e o extrativismo, por meio de políticas agroflorestais que valorizem a sociobiodiversidade e os modos de vida rurais e ribeirinhos.
A estratégia “Cidade com a Floresta e as Águas” reforça a relação da população com o Rio Madeira e propõe soluções voltadas à ampliação das áreas verdes, proteção dos igarapés, controle da ocupação urbana e expansão do saneamento básico.
Além disso, prevê a ampliação da arborização integrada a projetos de qualificação das vias e adaptação climática, e a adoção de medidas para fortalecer a resiliência do município frente a eventos climáticos, como enchentes e secas.
Controle da Dispersão Urbana
Quarta estratégia do Plano Diretor propõe a reorganização da administração municipal
Essa estratégia busca conter a expansão desordenada e direcionar o crescimento para áreas já urbanizadas, com incentivo à ocupação de terrenos vazios e à melhoria da infraestrutura nos bairros existentes.
Entre as propostas está a delimitação do perímetro urbano, qualificação do espaço já existente e redução da criação de novos loteamentos e áreas de ocupação distantes dos serviços públicos. Prevê ações como ampliação do saneamento, implantação de praças, calçadas, arborização, iluminação e ciclovias.
O modelo contribui para a redução dos custos de manutenção da cidade, evita deseconomias e promove um desenvolvimento mais sustentável.
Pertencimento e Identidade
O reconhecimento da identidade local é também um dos elementos centrais no avanço do Município. A estratégia “Pertencimento e identidade” busca fortalecer o vínculo da população com o território e os modos de vida locais, estimulando, especialmente entre as novas gerações, a valorização da memória, dos valores culturais e da qualificação dos espaços públicos, tornando a cidade mais vibrante e acolhedora.
Para isso, prevê a preservação do patrimônio histórico, cultural, reconhecimento das comunidades tradicionais e a valorização das identidades, memórias, saberes e expressões culturais que constituem a diversidade local.
A estratégia contempla políticas de qualificação e valorização de áreas como o centro histórico, com orientações técnicas para obras e intervenções em espaços de interesse cultural. Também prevê o fomento à economia criativa, a valorização de povos indígenas e comunidades tradicionais, além de ações com foco em acessibilidade, uso público dos espaços e incentivo a formas sustentáveis de trabalho e geração de renda.
Modernização da Gestão Urbana
A quarta estratégia do Plano Diretor propõe a reorganização da administração municipal, para colocar em prática o PDPM e melhorar os serviços oferecidos à população. A proposta busca tornar a gestão mais eficiente, com maior integração entre os setores, atualização e harmonização das regras urbanísticas, além de corrigir falhas e agilizar processos como licenciamento e fiscalização.
Além de outras ações voltadas à criação e integração de sistemas de informação com base cartográfica atualizada e dados sobre o território municipal, como mapas, obras, licenças, áreas urbanas, entre outros, para apoiar decisões mais precisas. O objetivo é garantir uma gestão mais eficiente, transparente e alinhada às necessidades da população.
Presença do Poder público nos Distritos
Este é o primeiro Plano Diretor de Porto Velho que considera os distritos com todas as suas especificidades. Para tanto, as comunidades localizadas no alto, médio e baixo Madeira possuem dinâmicas próprias e exigem ações específicas, com maior presença do poder público para garantir melhores condições urbanas e ambientais.
Nesse sentido, a estratégia busca entender melhor como esses distritos se formaram e quais são suas condições atuais, permitindo definir regras de construção e uso do solo mais adequadas à realidade local.
O planejamento prevê a organização dos núcleos urbanos nessas localidades, com definição mais clara das áreas e orientações para uma ocupação adequada. Também inclui apoio às comunidades por meio de assistência técnica para a construção e melhoria das moradias, reduzindo riscos e melhorando as condições das habitações.
Programa de Educação Urbana
A apresentação dessas estratégias marca o início do Programa de Educação Urbana, previsto no Plano Diretor, com ações para aproximar a população das discussões sobre a cidade e o território municipal.
A iniciativa inclui atividades educativas sobre questões urbanas, percepção do território e valorização da cultura local, fortalecendo o pertencimento e a identidade.
CULTURA – Biblioteca Meirelles preserva histórias e incentiva leitura
Acervo raro e atendimentos reforçam o valor da leitura
Em um tempo em que a informação circula de forma rápida e, muitas vezes, superficial, o livro segue sendo uma das formas mais seguras e profundas de acesso ao conhecimento. Celebrado em 23 de abril, o Dia Mundial do Livro reforça a importância da leitura, da preservação da cultura e do incentivo à formação de novos leitores.
Em Porto Velho, a Biblioteca Municipal Francisco Meirelles é um dos principais símbolos desse compromisso. O espaço abriga um acervo valioso, com obras raras e históricas que ajudam a preservar a memória cultural e intelectual da sociedade.
Entre os destaques estão exemplares que atravessaram séculos, como edições antigas de clássicos da literatura e registros históricos importantes. Cada obra guardada no local representa não apenas conhecimento, mas também um elo entre o passado e as futuras gerações.
De acordo com o diretor da biblioteca, Carlos Augusto, o papel do livro vai além da leitura. “Nem tudo que chega pelo celular é verdadeiro. O livro tem esse papel de preservar a informação com mais segurança e manter viva a nossa cultura”, destacou.
O livro tem esse papel de preservar a informação com mais segurança, destacou Carlos Augusto
Além do acervo, a biblioteca também tem se reinventado para atrair o público. O espaço conta com ambiente climatizado, áreas de leitura organizadas e laboratório de informática com acesso à internet, oferecendo diferentes possibilidades para os usuários.
“Aqui não é só um espaço de livros. É um ambiente pensado para acolher as pessoas, seja para estudar, pesquisar ou até encontrar um momento de tranquilidade”, explicou o diretor.
O prefeito Léo Moraes destacou a importância do espaço como instrumento de acesso ao conhecimento: “O incentivo à leitura é fundamental para a formação das pessoas. Investir na biblioteca é fortalecer a educação, a cultura e o futuro da nossa cidade”.
Os números mostram que o interesse pela leitura ainda está presente. Nos últimos anos, a biblioteca já realizou mais de 36 mil atendimentos e emprestou cerca de 13 mil livros, demonstrando que, apesar dos avanços tecnológicos, o hábito de ler continua vivo.
Nos últimos anos, a biblioteca já realizou mais de 36 mil atendimentos
Ainda assim, o cenário exige atenção. Segundo Carlos Augusto, o uso excessivo de telas desde a infância pode impactar diretamente o interesse pelos livros. “Muitas vezes, a criança recebe um celular em vez de um livro. Por isso, é fundamental que a família e a escola incentivem esse hábito desde cedo”, alertou.
Espaço está em reforma
Com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h, sem intervalo para o almoço, a Biblioteca Meirelles se mantém como um espaço acessível e democrático, aberto a toda a população. No momento, está temporariamente fechada para a conclusão da reforma, com reabertura programada para o dia 28 de abril.
Mais do que um local de leitura, o ambiente se consolida como um ponto de encontro com o conhecimento, onde cada página preservada ajuda a contar a história de quem somos e inspira o futuro de quem ainda está por vir.
DECISÃO – Acusados de matar delegado são absolvidos após pedido do Ministério Público
Decisão seguiu entendimento de que não havia elementos para condenação
Os jurados da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho absolveram, nesta quarta-feira (22), três acusados de envolvimento na morte do delegado da Polícia Civil José Valney Calixto de Oliveira. A absolvição foi pedida pelo próprio Ministério Público ao final de um julgamento que durou mais de 11 horas.
Édipo Teixeira Pereira, Meyson Vitoriano Auzier e Éricon Fernando Fernandes Guimarães haviam sido denunciados por participação no crime, ocorrido em 24 de julho de 2021. Durante o julgamento, o promotor afirmou que, apesar de indícios sobre um possível complô, não houve provas suficientes para sustentar a condenação.
A defesa também argumentou pela falta de elementos capazes de comprovar a participação dos acusados.
O crime aconteceu em uma chácara na estrada dos Periquitos, na zona Leste da capital. Segundo o processo, após um desentendimento no local, o delegado saiu e depois retornou sozinho. Em seguida, houve troca de tiros, e José Valney foi atingido por quatro disparos na cabeça.
Na mesma ocorrência, Rafael Simão da Silva, gerente de um posto de combustível, também foi baleado. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu em uma policlínica.
Polícia Civil realiza operação contra grupo que invadia e vendia área protegida em Porto Velho
A operação contou com apoio da Core, da Gerência de Aviação do Estado (Gave/Sesdec), do Batalhão de Policiamento Ambiental e do Ministério Público de Rondônia
Um grupo investigado por invadir, lotear e vender áreas dentro da Floresta Estadual de Rendimento Sustentável Rio Madeira B (FERS Rio Madeira B), em Porto Velho, foi alvo de 15 medidas cautelares cumpridas nesta quarta-feira (22) durante a Operação “Escudo de Cinzas V – Rio Madeira B”, conduzida pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco 2) da Polícia Civil de Rondônia.
As investigações apontaram que os envolvidos atuavam de forma estruturada, com divisão de funções e coordenação para demarcar lotes, suprimir vegetação nativa, abrir trilhas, extrair madeira ilegalmente e construir moradias dentro da unidade de conservação, que possui cerca de 51 mil hectares.
Para dar aparência de legalidade às atividades, o grupo utilizava associação rural, central de movimentos e cooperativa habitacional, além de captar recursos com base nessas estruturas. A apuração teve início em novembro de 2023, após abordagem de agentes da Sedam e policiais ambientais, com novas incursões em 2025 permitindo identificar a liderança, o núcleo operacional e a divisão funcional entre os investigados.
As medidas cautelares incluem buscas domiciliares, proibição de contato entre investigados e testemunhas e restrição de acesso a unidades de conservação em todo o estado.
A operação contou com apoio da Core, da Gerência de Aviação do Estado (Gave/Sesdec), do Batalhão de Policiamento Ambiental e do Ministério Público de Rondônia, por meio do Gaeco e do Gaema, reforçando a articulação entre órgãos de segurança e controle ambiental no combate a crimes contra áreas protegidas.