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Messi emociona em carta de despedida ao pai e coloca futuro no futebol em dúvida

Em relato comovente, o camisa 10 homenageou o pai, que faleceu aos 68 anos na Argentina, e confessou não saber se terá forças para continuar no esporte

O craque Lionel Messi publicou uma comovente carta aberta em despedida ao seu pai, Jorge Horacio Messi, que faleceu aos 68 anos na última sexta-feira (7/8), em Rosário, na Argentina. Além da profunda dor da perda, o desabafo do camisa 10 trouxe uma revelação que chocou os fãs: o abalo emocional o fez repensar seu futuro nos gramados.

Jorge Messi não era apenas o pai do ídolo mundial; ele foi a figura central na construção da carreira do jogador, atuando como seu representante e pilar ao longo de toda a sua trajetória. Vítima de um problema de saúde que o afligia havia meses, cuja causa exata foi mantida em sigilo pela família, o idoso não pôde acompanhar o filho na recente disputa da Copa do Mundo.

No texto, Messi revelou os bastidores dramáticos que viveu durante o torneio. A angústia de não receber as tradicionais mensagens do pai após os jogos e o sacrifício físico na tentativa de levar mais um título mundial para a casa mostram o lado mais humano e vulnerável do jogador.

O trecho que mais tem repercutido internacionalmente diz respeito à continuidade da carreira do argentino. Acostumado a ter o pai ao seu lado desde os primeiros passos no esporte, Messi admitiu estar perdido e expressou fortes dúvidas sobre seguir jogando futebol profissionalmente. “Eu só jogava futebol e agora tenho bastante dúvidas de que vou continuar fazendo isso por muito mais tempo”, escreveu o craque.

Carta de Lionel Messi na íntegra
“Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. A ficha não cai, ou melhor, não quero que caia. É muito difícil imaginar que não vou te ver mais, que não vamos mais conversar. Sei que você estava sofrendo e que é o melhor, mas você se foi muito cedo. Ainda tínhamos muito o que aproveitar juntos.

Você me pediu tanto para jogar o último Mundial e, dias antes de começar, foi quando você piorou. Era a primeira vez que você não estaria em um torneio, mas a mãe me dizia que você ia melhorar e ficar bem para poder viajar. Eu te dizia que íamos chegar à final para que você pudesse viajar.

Toda vez que terminava um jogo, eu esperava e sentia falta da sua mensagem. Aí me dei conta de que a situação era feia de verdade. Mesmo assim, não parava de pensar em chegar o mais longe possível, para te dar tempo e para que você visse um jogo.

Chegamos à final e você não pôde estar. Queria ganhá-la para levar até você e te mostrar uma nova. Não consegui, as pernas não aguentavam mais. Desta vez tentei ir contra o meu físico, mas não consegui. Nunca consegui me sentir bem.

Quando cheguei, você achava que tínhamos perdido a final nos pênaltis. Não pudemos falar de nada de tudo o que aconteceu. Você não pôde desfrutar nada. Não fomos campeões, mas você não sabe como desfrutamos de cada jogo. Mais uma vez, você tinha razão: eu tinha que estar lá e jogar.

Te conto isso porque foi a única coisa da qual não pudemos falar, porque de todo o resto você já sabe. Nos falávamos todos os dias e nos víamos quando dava, por causa dos meus compromissos.

Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir. Eu só jogava futebol e agora tenho bastante dúvidas de que vou continuar fazendo isso por muito mais tempo. Você esteve ao meu lado desde o começo, faltava tão pouco para o fim. Por que não aguentou só mais um pouquinho e terminávamos juntos?

Sei que a sua felicidade era ver a sua família bem, sua esposa, seus filhos e, sobretudo, sem que os outros soubessem, me ver jogar…

Desde pequeno sempre foi assim. Você me levava para todos os treinos assim que chegava do trabalho. Em muitos, minha mãe me levava porque você estava trabalhando.

Obviamente, você não faltava a um jogo. Como você sofria me vendo e como desfrutava, embora nunca me desse muitos elogios.

Você foi pai, amigo e representante. Sempre foi a pessoa que precisava ser em cada momento e nunca errou em nada. Além de algumas cobranças ou brigas, você sempre tinha razão. No final, as coisas acabavam acontecendo como você dizia.

Vou sentir muita saudade, mas você sempre estará presente, e principalmente na educação dos meus filhos, porque os ensino e os educo como vocês fizeram comigo.

Descanse em paz e cuide de nós lá de cima como você fazia aqui. Obrigado por tudo.

Te amo, pai”.

Fonte: Leo Dias

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