Notícias
Entenda por que Rondônia é “onde o vento faz a curva”

A expressão popular “onde o vento faz a curva” costuma se referir a lugares distantes. No caso de Rondônia, porém, o ditado tem um sentido literal: o estado está exatamente no ponto em que os ventos que cruzam a América do Sul mudam de direção, redirecionando a umidade que abastece chuvas em grande parte do Brasil.
Segundo o climatologista João Gobo, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), esse papel estratégico está ligado aos Jatos de Baixos Níveis (JBN), também chamados de rios voadores. São correntes de vento próximas à superfície que transportam vapor d’água da Amazônia para o Centro-Sul do continente.
💨 Por que fazem a curva em Rondônia?
Os ventos vêm do Leste (Manaus e Belém), mas, ao encontrarem a barreira natural da Cordilheira dos Andes, não conseguem seguir rumo ao Pacífico. O desvio acontece exatamente sobre Rondônia, Acre e Bolívia, redirecionando a umidade para o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
🌎 Rondônia como “esteira de umidade”
A posição geográfica do estado o transforma em um ponto-chave:
- Está a leste dos Andes, no corredor dos JBN;
- Recebe influência da Monção Sul-Americana, que regula os períodos de chuva e seca;
- Fica entre Amazônia e Cerrado, favorecendo interações entre relevo, temperatura e umidade.
Essa combinação contribui para o funcionamento da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), responsável por levar chuvas intensas ao Sudeste e ao Centro-Oeste.
🌳 Risco do desmatamento
A floresta amazônica funciona como uma fábrica natural de vapor d’água, por meio da evapotranspiração. O desmatamento reduz esse processo, enfraquece os rios voadores e ameaça todo o sistema de chuvas que depende deles.
➡️ Rondônia, portanto, não é apenas “onde o vento faz a curva”. É também um dos pontos onde se define o equilíbrio climático da América do Sul — e sua preservação é vital para o futuro da floresta e das chuvas no continente.