Lá se vão seis meses do fim de “Vale Tudo”, e Bella Campos decidiu falar sem rodeios sobre os bastidores turbulentos da novela. E a atriz cuiabana de 28 anos fez isso em tom de enfrentamento.
Em entrevista ao podcast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo, disponibilizada na segunda-feira, 27 de abril, a artista expôs episódios que classificou como misóginos. Ela ainda criticou a condução interna da Globo e reforçou uma imagem que já vinha construindo: a de uma mulher que não se intimida.
Longe de “dar voltas nas respostas”, Bella foi direta ao lembrar o que viveu nos corredores da produção. “Meu maior desafio dentro desse projeto foi ter que conviver com uma misoginia interna”, afirmou. Segundo ela, esse ambiente provocou, num primeiro momento, uma sensação de opressão e silenciamento. Mas a atriz não recuou.
Ao comentar o período em que rumores dos conflitos com Cauã Reymond vieram à tona, Bella disse que não aceitaria fingir normalidade. “Não vou ficar dando entrevista falando que tá tudo bem, porque não estava”, disparou.
Bella reage e rejeita naturalização do absurdo
Em um dos trechos mais fortes da conversa, a atriz relatou episódios que, para ela, jamais deveriam ter sido tratados como brincadeira. “Não pode ser risível um homem levantar o braço no meio de uma gravação e perguntar: ‘Cheira aqui o meu sovaco e vê se eu estou fedendo’”, criticou.
Em seguida, reforçou que comentários como “você tem cara de que gosta do cheiro de homem” não têm nada de cômicos. Ao contrário, para ela, revelam um padrão que costuma ser relativizado.
Ainda assim, Bella sustentou a própria posição e, segundo contou, após o caso ganhar repercussão, o comportamento nos bastidores mudou. “A pessoa ficou com medo de ser exposta”, afirmou.
‘Não tenho medo’
Se havia expectativa de uma postura mais diplomática, Bella foi na direção oposta. Criticou, inclusive, a falta de acolhimento por parte da emissora e questionou estruturas de poder. “Quem está na cadeira de comando? Homens brancos… não entendi qual é esse pacto tão forte ali entre esses homens”, disse.
A fala ganhou força justamente por vir sem hesitação. Bella não se colocou como vítima fragilizada, mas como alguém disposta a enfrentar o sistema. E foi além.
“Querem que a gente tenha medo de uma porta fechada, de um espaço negado, mas minha porta não tá fechada nem um pouco”, afirmou, num dos momentos mais contundentes da entrevista.
Ao abordar as ameaças veladas de retaliação a artistas que se posicionam, a atriz respondeu com firmeza e até ironia. “Muitas vezes, quando eu me posiciono, falam ‘essa aí vai ficar na geladeira’. Amor, não tenho medo.”
A frase final resumiu o tom de todo o relato e virou logo símbolo dessa postura grandona, sem medo de enfrentar estruturas ou bancar o próprio discurso: “Se eu tiver que ficar dentro dessa geladeira, eu vou construir um universo inteiro dentro”.
Mais do que rebater bastidores conturbados, Bella transformou a entrevista em afirmação de força. E fez isso sem baixar a cabeça.
Fonte: Flavia Cirino