Uma empresa de Buritis (RO) exercia o papel de emitir os passaportes, comprar as passagens e dar auxílio nos voos dos migrantes ilegais com destino ao México para que eles atravessassem a fronteira a pé, com apoio de “coiotes”.
A PF calcula, até o momento, que a organização criminosa fez mais de 400 vítimas e arrecadou mais de R$ 16,5 milhões. Lenilda dos Santos Souza e outra rondoniense que foi abandonada na travessia são algumas das vítimas de esquemas de coiotes em Rondônia.
Lenilda morreu após ser abandonada por amigos de infância
Lenilda dos Santos morreu quatro meses antes de realizar o sonho de ser avó de uma menina. — Foto: Redes Sociais/Reprodução
Lenilda saiu de Vale do Paraíso (RO), em agosto de 2021, para atravessar a fronteira entre México e EUA. Ela e o grupo ficaram aproximadamente um mês em uma residência, esperando “o melhor momento” para fazer a travessia.
O grupo começou a atravessar o deserto dia 6 de setembro. Porém, no dia seguinte, Lenilda já estava muito debilitada por conta do cansaço, sede, calor e fome. A filha dela contou ao g1 que ela chegou a desmaiar de mal estar.
Segundo suas últimas conversas com a família, Lenilda foi abandonada por amigos de infância com quem viajava e o coiote que deveria ajudar na sua travessia. Ela comentava que o grupo decidiu seguir viagem, mas prometeu que iria voltar para buscá-la.
“Eles abandonaram ela na segunda. Ela ainda caminhou a terça todinha, chegou no lugar que tinha que chegar e ninguém veio buscar”, conta a filha de Lenilda, à época, em entrevista ao g1.
Em um dos seus últimos áudios, ela pedia para alguém levar água quando fosse buscá-la, pois não estava mais “aguentando a sede” (ouça abaixo). O corpo dela foi encontrado em setembro, no deserto, a 400 metros de uma casa-trailer.
Áudio enviado para familiares antes de imigrante brasileira morrer no deserto dos EUA
Áudio enviado por Lenilda dos Santos, de 49 anos, sobre neta
O que motivou a travessia arriscada foi “o sonho americano”. Ela queria dar melhor qualidade de vida para a família e pagar a faculdade das filhas. Abandonou a carreira de técnica em enfermagem no Brasil para exercer outra profissão no exterior.
“Ela deixou um buraco dentro de todo ser humano que conheceu ela”, lamentou o irmão da vítima.
Corpo Lenilda dos Santos, brasileira que morreu no deserto dos EUA, é velado em Rondônia — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Jovem foi roubada, violentada e abandonada para morrer
Em dezembro de 2021, os familiares de uma jovem de 24 anos utilizaram as redes sociais para denunciar que ela tinha sido sequestrada, atacada e abandonada por coiotes durante a travessia do México para os EUA.
Eles pediram ajuda para arrecadar dinheiro e pagar o tratamento da vítima que chegou a ficar em coma em um hospital do México. Segundo a Polícia Federal, ela foi roubada e estuprada por “coiotes”.
Na época, a descrição da vaquinha relatava que a jovem “caiu em mãos erradas, foi violentada de todas as formas” e foi encontrada em estado grave, amarrada, próximo a uma fazenda.
O trajeto que a jovem tentou tinha a mesma estratégia de Lenilda: ir até o México através de uma empresa de viagem e depois tentar concluir o caminho a pé.
Ao total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal de Porto Velho. A operação foi deflagrada em Rondônia e Rio Grande do Norte.
Agência de viagens foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de transportar brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos — Foto: Polícia Federal/Divulgação
Pai acusou ex de sequestrar filho e ir ilegalmente para os EUA
O pai entrou com uma petição na Justiça pedindo a guarda unilateral, sob a alegação que a mãe colocou em risco a vida da criança fazendo uma travessia ilegal, além de tirá-la do meio familiar e da escola de forma abrupta.
“Eu fiquei sem notícias dele [o filho] por cinco dias. Quando eu consegui falar com meu filho, a primeira coisa que ele falou para mim foi ‘pai eu tava preso'”, contou o pai ao g1.
ANEL VIÁRIO – ANTT antecipará investimentos para melhorar trânsito e logística de Porto Velho com Expresso Porto
Entre as ações planejadas, está o desenvolvimento do acesso ao Expresso Porto, projeto essencial para a cidade
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou que está antecipando investimentos para melhorar o trânsito e a logística de Porto Velho, com foco na duplicação de vias, criação de faixas adicionais e aprimoramento dos serviços operacionais. Entre as ações planejadas, está o desenvolvimento do acesso ao Expresso Porto, projeto essencial para a cidade.
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo, afirmou que, embora as obras ainda não tenham sido iniciadas, a agência está tomando as medidas necessárias para acelerar os investimentos. “Já estamos antecipando alguns investimentos de duplicação, de faixa adicional, de serviço operacional, de conectividade. E agora o desenvolvimento do acesso ao Expresso Porto”, disse Theo, destacando a urgência das intervenções.
A demanda por essas melhorias foi intermediada pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, pelo senador Marcos Rogério (PL) e pelo vereador Dr. Gilber (PL). Os três estiveram em Brasília para tratar diretamente com a ANTT sobre as necessidades de Porto Velho e garantir a viabilização dessas obras estratégicas para a cidade.
O projeto Expresso Porto, que inclui a reestruturação do anel viário de Porto Velho, é uma prioridade para a cidade, pois visa reduzir congestionamentos, melhorar o fluxo de transporte e a segurança viária, além de fortalecer a logística local. Com a antecipação dos investimentos, a expectativa é de que o tráfego na capital rondoniense se torne mais eficiente, beneficiando tanto a mobilidade urbana quanto o desenvolvimento econômico da região.
PESO NO BOLSO – Tarifa de energia da Energisa Rondônia sobe 15,72% a partir de 13 de dezembro
O aumento reflete a Revisão Tarifária Extraordinária (RTE) e o abatimento de valores da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), após leilão do GSF
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste de 15,72% nas tarifas de energia da Energisa Rondônia, que será aplicado a partir de 13 de dezembro. O aumento reflete a Revisão Tarifária Extraordinária (RTE) e o abatimento de valores da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), após leilão do GSF.
Inicialmente, o aumento seria de 28%, mas a distribuidora propôs um ativo regulatório de R$ 320 milhões, a ser recuperado a partir de 2026, o que ajudou a reduzir o impacto. A empresa também recebeu R$ 321,47 milhões do leilão para abater a CDE, o que diminuiu o reajuste em 12,19%.
Embora Rondônia seja um estado produtor de energia, com grandes usinas como Jirau, a tarifa de energia continua a subir, o que gera questionamentos sobre o custo da energia em um estado tão estratégico na geração elétrica.
SEM PARALISAÇÃO – Convocação de greve não mobiliza caminhoneiros em Rondônia, diz PRF
Movimentação prevista para quinta-feira (04) teve zero registros no estado.
A paralisação nacional dos caminhoneiros, anunciada para a manhã desta quinta-feira (04), não ganhou força em Rondônia. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), não houve qualquer registro de bloqueio, pontos de concentração ou tentativas de interrupção do fluxo nas rodovias federais que cortam o estado.
A corporação informou que, até o momento, não recebeu comunicação formal sobre manifestações em nenhuma região do país. A ausência de aviso prévio é relevante porque, segundo o artigo 95 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), qualquer evento capaz de afetar o trânsito de veículos ou pedestres precisa de autorização expressa do órgão de trânsito competente, além de sinalização adequada. Descumprir essa exigência pode resultar em multas e outras penalidades civis e criminais.
Em Rondônia, a situação se manteve tranquila. As equipes da PRF que percorrem diariamente BRs como a 319, 364 e 429 não identificaram movimentações de caminhoneiros que indicassem o início do ato.
Francisco Burgardt, representante do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Ourinhos (Sindicam-SP), havia afirmado que a mobilização seria realizada dentro das normas previstas em lei, caso ocorresse. Entre as reivindicações da categoria estão a estabilidade contratual do caminhoneiro, o cumprimento de legislações já existentes, a reestruturação do Marco Regulatório do Transporte de Cargas e a instituição da aposentadoria especial após 25 anos de atividade, comprovada por recolhimento ou documento fiscal.
Apesar das demandas persistirem, o movimento divulgado para esta quinta-feira não aconteceu, pelo menos, não em Rondônia.