A Venezuela informou nesta terça-feira (26) que navios militares dos Estados Unidos devem chegar à costa do país no início da próxima semana. Em resposta, a chancelaria venezuelana recorreu às Nações Unidas, pedindo que a organização atue para conter o que chamou de “escalada de ações hostis” do governo americano.

O deslocamento inclui embarcações de guerra e tropas no sul do Caribe, com o objetivo declarado pelos EUA de combater cartéis de drogas que transportam entorpecentes da América do Sul para os Estados Unidos. Entre os navios destacados estão o cruzador de mísseis guiados USS Lake Erie e o submarino nuclear USS Newport News.

O chanceler venezuelano, Yván Gil, solicitou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, atue para “restabelecer a sensatez” e evitar o uso de armas nucleares na região. Em documento encaminhado à ONU, a missão da Venezuela pede:

  • Cessar imediatamente o envio de forças militares americanas ao Caribe;
  • Garantias de que armas nucleares não serão utilizadas na América Latina e no Caribe;
  • Convocação de consultas urgentes pela Organização para a Proibição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe;
  • Apoio da comunidade internacional para manter a região como “zona de paz”.

O governo venezuelano classificou as ações dos EUA como “grave ameaça à paz e à segurança regional” e solicitou monitoramento internacional das atividades militares americanas.

Contexto da tensão

Na semana passada, os EUA já haviam deslocado seis navios de guerra, aviões espiões e cerca de 4.000 militares para o sul do Caribe, alegando combate ao tráfico de drogas. Segundo o Departamento de Justiça americano, o presidente Nicolás Maduro lideraria o Cartel de los Soles, responsável por facilitar rotas de drogas para cartéis internacionais.

Além disso, os EUA ofereceram recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. O governo americano classificou o grupo liderado pelo presidente venezuelano como organização terrorista internacional.

Em resposta, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos para enfrentar o que chamou de “ameaças” dos EUA. Recentemente, países da América do Sul, como Equador, Paraguai, Guiana e Argentina, também passaram a classificar o Cartel de los Soles como organização terrorista.