EUA

Trump inicia demissões em massa em meio a “shutdown” do governo dos EUA

Foto: Chip Somodevilla/Getty Images - Matéria com informações do Metrópoles

Cortes atingem diversas agências federais enquanto impasse orçamentário paralisa serviços públicos e amplia crise política em Washington

Demissões e paralisação do governo

A Casa Branca confirmou nesta sexta-feira (10) o início de demissões em massa no funcionalismo público federal, em meio ao “shutdown” — paralisação parcial do governo dos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, faz parte de uma estratégia de corte de gastos e de pressão sobre os democratas no Congresso.

Segundo o New York Times, os desligamentos atingem múltiplas agências federais, incluindo os departamentos de Comércio, Educação, Energia, Segurança Interna, Saúde e Tesouro. Apenas neste último, cerca de 1,3 mil servidores devem ser demitidos.

O diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, confirmou o início dos cortes em publicação na rede X (antigo Twitter): “Os RIFs começaram”, escreveu, referindo-se à sigla para reduction in force — termo usado para demissões em larga escala no setor público americano.

O que é o shutdown

O termo shutdown descreve o fechamento parcial do governo federal quando o Congresso não aprova o orçamento anual. Sem a liberação de verbas, diversos órgãos ficam impedidos de operar normalmente. Apenas serviços essenciais, como segurança nacional, hospitais e forças armadas, permanecem em funcionamento.

Os setores não essenciais — como parques, museus e parte da burocracia federal — têm as atividades suspensas. Em muitos casos, servidores são afastados ou trabalham sem salário até a aprovação de um novo orçamento.

O episódio atual é o primeiro shutdown em quase sete anos, desde o de 2018–2019, também durante o governo Trump, que durou 35 dias e deixou 800 mil funcionários sem pagamento, com prejuízo estimado em US$ 3 bilhões.

Disputa política e cortes

A nova paralisação começou após o Senado rejeitar um plano de financiamento temporário proposto pelos republicanos, que havia sido aprovado na Câmara dos Representantes. O texto manteria o governo funcionando até 21 de novembro, mas não atingiu os 60 votos necessários para superar o bloqueio democrata.

Trump reagiu dizendo que o “shutdown” é uma oportunidade para reduzir o tamanho do Estado e cortar programas sociais defendidos pela oposição.
Vamos cortar programas muito populares entre os democratas, que não são populares entre os republicanos”, afirmou o presidente em reunião de gabinete.

Impactos e incertezas

A paralisação já afeta cerca de 750 mil servidores, que estão sem remuneração. Além das demissões, o governo suspendeu bilhões de dólares em repasses federais destinados principalmente a estados e cidades governados por democratas.

Trump também sinalizou que pode eliminar agências consideradas “partidárias” e manter os cortes mesmo sem autorização do Congresso, o que eleva a tensão institucional e amplia o risco de instabilidade econômica e social no país.

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