Por Letelie Oliveira - Análise política
Marcelo Cruz manteve a cadeira na Assembleia Legislativa, mas terminou as eleições de 2026 com motivos para preocupação. A reeleição pelo Avante veio acompanhada de uma redução expressiva de votos e de reveses no projeto político familiar.
O deputado passou de 18.798 votos em 2022 para 12.048 em 2026. Foram 6.750 votos a menos, uma queda de aproximadamente 35,9%. Para um parlamentar que já presidiu a Assembleia, o resultado representa um sinal de desgaste que a conquista de mais um mandato não apaga. Fontes: Assembleia Legislativa e Rondoniagora.
A dificuldade também apareceu na disputa federal. Seu pai, o vereador Pastor Evanildo, concorreu pelo PSD, recebeu 20.048 votos e ficou na suplência. A família preservou o mandato estadual de Marcelo, mas não conseguiu ampliar sua presença para a Câmara dos Deputados.
Outro revés ocorreu no Legislativo da capital. Evanildo havia sido escolhido antecipadamente para presidir a Câmara de Porto Velho no biênio 2027–2028. Após a revisão daquela eleição, a nova votação elegeu Zé Paroca. Evanildo também não aparece na composição da nova Mesa divulgada após o pleito.
Politicamente, a combinação pesa. O grupo não conquistou o mandato federal e deixou de ter assegurado o comando futuro da Câmara Municipal. Ao mesmo tempo, seu principal nome estadual viu a própria votação encolher..
A leitura desta coluna é que Marcelo sofreu uma das perdas políticas mais expressivas entre os estaduais reeleitos. Sobreviveu eleitoralmente, mas viu diminuir a distância entre suas ambições e os limites impostos pelo resultado.
O alerta para 2030 está dado. Não há base para decretar hoje uma futura derrota, mas a queda de mais de um terço da votação exige reação. Reconstruir a relação com o eleitorado e reorganizar alianças passa a ser uma necessidade para quem pretende continuar competitivo.
Marcelo garantiu mais quatro anos de mandato. O desafio agora é impedir que a reeleição de 2026 seja apenas uma etapa de um processo de enfraquecimento.







