Política

Movimento negro cobra de Lula indicação de mulher negra ao STF

Instituto de Defesa da População Negra enviou carta ao presidente pedindo que sucessão de Barroso represente avanço na diversidade da Corte

Reivindicação pela representatividade

O Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) enviou nesta sexta-feira (10) uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrando que a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, no Supremo Tribunal Federal (STF), seja ocupada por uma mulher negra.

No documento, o grupo — ligado ao movimento negro — ressalta que a população negra foi decisiva para a eleição de Lula, citando dados do Datafolha que indicam 60% das intenções de voto entre pessoas autodeclaradas pretas.

Crítica à falta de representatividade

O IDPN lembrou que, após quase três anos de governo, apenas duas mulheres negras foram nomeadas para cargos de destaque: Edilene Lôbo e Vera Lúcia Santana de Araújo, ambas indicadas para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — em funções consideradas temporárias e sem remuneração fixa.

“O que reivindicamos, neste momento, é que o Movimento Negro Brasileiro seja ouvido com o mesmo respeito e atenção dados a outros grupos políticos na discussão sobre a sucessão do Ministro Barroso”, afirma o texto.

O Instituto reforça que o movimento “não busca cargos, mas constrói um projeto de país”, baseado em “cinco séculos de resistência e conquistas”.

Campanha ‘Ministra Negra Já’

A carta cita ainda a mobilização “Ministra Negra Já”, que ganhou destaque nacional e internacional em 2023, como símbolo da demanda por reconhecimento e inclusão real no sistema de justiça.

Atualmente, o Supremo conta apenas com uma ministra mulher — Cármen Lúcia, após a aposentadoria de Rosa Weber em 2023. Com a saída de Barroso, Lula terá a terceira oportunidade de nomeação para a Corte neste mandato, em um processo que reacende o debate sobre diversidade racial e de gênero no Judiciário brasileiro.

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