Entretenimento
Festival Casarão 26 Anos: A Resistência da Música Independente no Norte
Por Juliana Lemos

Olhar para trás e ver a trajetória do Festival Casarão é contemplar uma história de pura paixão, coragem e, acima de tudo, resistência cultural. Em 2026, alcançamos a histórica marca de 26 anos de existência.
Para quem faz cultura de forma independente na região Norte do Brasil, cada ano completado não é apenas uma data no calendário; é uma vitória coletiva contra as distâncias geográficas, as barreiras logísticas e os desafios econômicos.
Nascido no início dos anos 2000, à beira do emblemático Rio Madeira e embalado pelas memórias da histórica vila de Santo Antônio, o Casarão cresceu sem perder sua essência. O que começou como um ponto de encontro e celebração local transformou-se no festival de música autoral mais longevo da nossa região.
Mais do que um evento de entretenimento, o Festival Casarão consolidou-se como uma plataforma indispensável de circulação artística, formação de plateia e fomento à economia criativa de Rondônia.
Nossa grande missão sempre foi dupla: abrir as portas para que nomes nacionais pisem em Rondônia pela primeira vez, e, com o mesmo peso e respeito, projetar as bandas e artistas da nossa terra para o restante do Brasil. Criamos uma ponte invisível de intercâmbio cultural.
Prova disso é a nossa expansão recente como um festival itinerante que hoje conecta não apenas Porto Velho, mas também outras capitais vizinhas, provando a força do nosso ecossistema musical.
Chegar aos 26 anos — contando nesta edição com o patrocínio fundamental do Edital Seleção Petrobras Cultural — nos dá o fôlego necessário para iniciar uma produção que abrange 4 capitais (Porto Velho/RO, Rio Branco/AC, Manaus/AM e Brasília/DF), de modo a permitir continuar sonhando e mantendo viva a chama da música independente do Norte.
A esperança de conseguirmos maiores incentivos não se justifica para trazermos apenas shows; mas para tornar possível a movimentação da economia criativa local, gerar receitas para cadeia do turismo e da produção, e formar novas gerações de apaixonados por cultura. A cultura no Norte é um investimento econômico e social, não um gasto.
Recentemente, fomos honrados com um reconhecimento de peso nacional: uma matéria especial no portal UOL destacando o nosso festival. Ver o Casarão ocupando notícias em um dos maiores veículos de comunicação do país — momento que compartilhamos em nossas redes sociais — é a validação de que somos o centro de uma efervescência artística única.
O reconhecimento do UOL e o carinho do público nos dão a certeza de que o Festival Casarão não é apenas um evento anual: ele é patrimônio, é memória afetiva e é a identidade de um povo que tem orgulho do seu som.
Obrigada a cada um que fez e faz parte dessa história. O Festival Casarão continua vivo, resistente e, acima de tudo, orgulhosamente rondoniense. Que venham os próximos!
Juliana Lemos é produtora cultural e responsável pela produção do Festival Casarão.