Política
Dois fatores enfraquecem Rodrigo Pacheco como possível indicado de Lula ao STF

Presidente do Senado era apontado como favorito, mas cenário político e perfil técnico reduzem chances de nomeação
Saída de Barroso reabre disputa por vaga na Suprema Corte
Com o anúncio da aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, feito nesta quinta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá a oportunidade de indicar um novo nome ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação reacendeu especulações sobre possíveis sucessores, entre eles o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que chegou a ser citado por Gilmar Mendes como “nosso candidato ao STF”.
Motivo político: foco em 2026
Apesar do prestígio entre ministros e aliados, Pacheco enfrenta resistência dentro do próprio governo. O primeiro obstáculo é político. Lula e seus conselheiros avaliam que o senador é peça central na estratégia eleitoral do PT para 2026, sendo o plano A para disputar o governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Historicamente, o estado é considerado decisivo nas eleições presidenciais — e abrir mão da candidatura de Pacheco seria visto como um erro estratégico.
Motivo técnico: perfil pró-mercado
O segundo entrave é técnico e ideológico. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o senador adota posições favoráveis à iniciativa privada em disputas com o Estado, o que o distancia do perfil buscado por Lula para a Corte. Um exemplo citado por assessores é a postura de Pacheco contra o fim imediato da desoneração da folha de pagamentos, medida defendida pelo governo federal.
Cenário ainda indefinido
Embora Pacheco conte com o apoio do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e tenha bom trânsito entre ministros do STF, a avaliação no entorno de Lula é que o senador deve continuar no jogo político. O Planalto, por ora, evita antecipar nomes, mas busca um perfil jurídico e politicamente alinhado à agenda do governo.
A saída de Barroso, aos 67 anos, abre a terceira vaga para indicação de Lula ao STF neste mandato — e promete uma nova rodada de articulações entre o Planalto, o Judiciário e o Congresso.