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Capitã da PM é levada morta a hospital de BH por marido sargento; ele está preso
Mãe da policial afirmou que relacionamento era abusivo e que filha tentava se separar do agressor.

Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.
Um caso que chocou as forças de segurança de Minas Gerais teve novos detalhes com a prisão em flagrante de um sargento da Polícia Militar. Ele é o principal suspeito da morte da própria esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, na noite da última segunda-feira (20/7), na Região Noroeste de Belo Horizonte. O caso veio à tona após o militar dar entrada com o corpo da vítima já sem vida no Hospital Odilon Behrens, cenário que acendeu o alerta imediato das equipes de atendimento. Por sinal, isso resultou em uma minuciosa investigação sobre um histórico de violência doméstica e supostas tentativas de ocultação de provas.O relógio marcava cerca de 21h35 quando o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira chegou à unidade de saúde com a esposa. De acordo com o registro policial, a equipe médica constatou um quadro de assistolia, parada cardiorrespiratória irreversível, e apontou que o falecimento havia ocorrido pelo menos entre quatro e seis horas antes da chegada.
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Segundo as informações do G1, o que realmente chamou a atenção dos profissionais foi o estado do corpo da capitã. O exame clínico preliminar identificou uma série de lesões graves e incompatíveis com um simples mal-estar. Havia sinais de traumatismo craniano, um corte profundo na testa, ferimentos severos nas pernas, diversos hematomas e marcas lineares características de chicotadas.
Diante da brutalidade dos indícios, a Polícia Militar foi acionada para intervir na situação envolvendo sua investigação.
A versão do marido e o flagrante no banheiro
Ao prestar depoimento, Eduardo apresentou uma narrativa que tentava justificar as marcas pelo corpo da mulher. O sargento relatou que o casal havia recebido convidados em casa na noite anterior, ocasião em que teriam consumido bebidas alcoólicas e ecstasy.
Ele alegou que, após ficarem sozinhos, tiveram relações sexuais que envolveram práticas de dominação e agressões físicas consentidas. Ainda segundo a versão do suspeito, por volta do meio-dia de segunda-feira, Michele teria sofrido uma queda na escada do apartamento, o que teria gerado o corte na cabeça.
O militar afirmou ter dado banho na esposa e feito curativos, alegando que ela se recusou a ir a um hospital por constrangimento devido ao uso de drogas sintéticas. Ele sustentou que ambos foram dormir e que apenas às 21h percebeu que a mulher estava inconsciente.
A tese do sargento começou a desmoronar ainda dentro do hospital Odilon Behrens. Enquanto aguardava os procedimentos hospitalares, Eduardo pediu para ir ao banheiro acompanhado por um oficial. Durante o trajeto, ele foi flagrado jogando uma caixinha de metal no lixo.
Os policiais recolheram o objeto e encontraram comprimidos semelhantes ao ecstasy, atitude que o próprio suspeito admitiu se tratar de uma tentativa de se livrar da substância.
Família relata abusos, controle e ameaça com faca
Nos bastidores, o depoimento da família da vítima traça um retrato sombrio do relacionamento. Para a polícia, a mãe de Michele afirmou que a filha vivia presa em um ciclo de violência psicológica, controle e abusos. Ela revelou que o casal acumulava um histórico de idas e vindas e que a capitã já havia confidenciado à irmã o desejo de se separar de Eduardo.
Em uma das discussões recentes, o homem teria chegado a ameaçá-la com uma faca. A mãe também relatou que estranhou o comportamento da filha ao longo de toda a segunda-feira. As duas tinham um compromisso marcado pela manhã, cancelado por Michele em um telefonema breve e frio.
Depois disso, nenhuma das mensagens enviadas pela família foi respondida, coincidindo com o período em que a perícia estima que as agressões mais graves tenham ocorrido. A perícia da Polícia Civil realizou uma varredura completa no apartamento do casal e encontrou fortes indícios de tentativa de limpeza da cena do crime.
Dentro da máquina de lavar, os peritos acharam roupas de cama que haviam sido recém-lavadas e ainda estavam molhadas. No contentor de lixo do edifício, foi localizado um cabo de madeira quebrado, material que será analisado para confirmar se foi utilizado nas agressões que deixaram marcas no corpo da policial.
Fonte: Leo dias